Governo Registra Déficit de R$ 11,4 Bi no 1º Semestre de 2025

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Resultado é quase R$ 60 bilhões menor que o de 2024, mas ainda pressiona planejamento fiscal do país


O Governo Federal fechou o primeiro semestre de 2025 com déficit primário de R$ 11,4 bilhões, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional. Apesar do número negativo, o resultado foi recebido como menos pior que o esperado, já que representa uma queda de quase R$ 60 bilhões em relação ao mesmo período de 2024 (quando o rombo foi de R$ 67,3 bilhões).

A melhora foi impulsionada por aumento na arrecadação, puxado pelo bom desempenho econômico no início do ano, e corte de gastos públicos, que ficaram 3% abaixo dos níveis de 2024 em termos reais.


Entenda o Resultado por Órgão

  • Tesouro Nacional: superávit de R$ 192,2 bilhões

  • Banco Central: déficit de R$ 69 bilhões

  • Previdência Social: déficit de R$ 203,6 bilhões

O mês de junho/2025, isoladamente, registrou déficit de R$ 44,3 bilhões, levemente acima dos R$ 38,7 bi de junho de 2024.


A Meta Fiscal do Ano: R$ 0

A meta do governo para 2025 é resultado fiscal zero — ou seja, equilíbrio entre receitas e despesas. Há, porém, uma margem de tolerância:

  • Piso: déficit de R$ 31 bilhões

  • Teto: superávit de R$ 31 bilhões

Com o déficit atual de R$ 11,4 bi, o Brasil ainda está dentro da meta, com uma folga de R$ 4,6 bilhões abaixo do limite inferior da faixa.


Quais medidas ajudaram a conter o rombo?

O governo tomou diversas ações para tentar manter as contas públicas sob controle:

Redução de Gastos

  • Congelamento de R$ 31 bilhões no Orçamento em maio

  • Redução desse bloqueio para R$ 10,7 bilhões após revisão positiva das receitas

Aumento de Receitas

  • Elevação do IOF via decreto (mesmo após embates com o Congresso)

  • Estimativa de arrecadação de R$ 10 bilhões no ano com o IOF

  • Medida Provisória para tributar ativos financeiros, com expectativa de mais R$ 10,5 bilhões em arrecadação


Impacto para Empresários

1. Tributação mais agressiva no radar

As medidas para elevar o IOF e tributar ativos financeiros mostram que o governo não hesita em mexer na carga tributária para atingir metas fiscais. Empresas devem:

  • Rever custos de financiamento com operações de crédito afetadas pelo IOF

  • Ficar atentas à tributação sobre aplicações financeiras e ativos no exterior


2. Cenário macro mais instável pode afetar crédito e investimento

  • O resultado fiscal influencia diretamente a percepção de risco do Brasil

  • Isso impacta o custo de empréstimos, precificação de investimentos e confiança do setor privado


3. Empresas com negócios ligados ao setor público devem considerar possíveis atrasos, cortes ou reavaliações de contratos — principalmente nas áreas de infraestrutura e saúde


Conclusão: Cautela é a Palavra-Chave

Embora o resultado fiscal de R$ 11,4 bilhões seja tecnicamente “aceitável”, ele mostra que o Brasil ainda caminha em terreno fiscal delicado, exigindo ajustes duros para manter o equilíbrio. Para empresários, isso significa um segundo semestre com:

  • Ambiente tributário volátil

  • Cautela no crédito

  • Oportunidades para quem se antecipar às mudanças

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